Existe uma pressão silenciosa que recai sobre quem foi ferido. Não é a dor em si — essa, ao menos, é honesta. É a expectativa de que, passado um tempo razoável, a pessoa ferida deva perdoar. Como se o perdão fosse uma etapa natural do sofrimento, uma obrigação moral disfarçada de virtude. Mas vale questionar essa ideia com seriedade: perdoar é mesmo uma obrigação? E quando alguém diz que perdoou, o que isso realmente significa? O perdão que não existe Há um tipo de perdão muito comum que, a rigor, não é perdão nenhum. A pessoa diz "eu perdoo", mas continua desconfiando. Continua lembrando na próxima discussão. Continua tratando o outro de forma diferente. O que mudou, na prática? Nada — exceto a palavra usada para descrever a situação. Esse uso frouxo do termo cria um problema sério: infla a sensação de que o perdão é algo acessível, corriqueiro, quase automático. E quem não consegue alcançá-lo — quem ainda sente dor, quem ainda não está pronto — passa a se sentir culpado p...