Consciência

 Foi muito difícil escrever sobre este tema.

Durante o tempo que pensava sobre ele, tive até mesmo um pesadelo relacionado. Sonhei que estava em um mundo em que 90% das pessoas viviam cada um em sua própria ilusão, e isso me afligia, eu pensava "Quanto tempo uma pessoa fora dessas ilusões pode conseguir se manter sã num mundo assim? Quanto tempo até tudo colapsar?"

Algo bem matrix né haha, e de certa forma é discutível se não vivemos de fato em um mundo assim.

Mas em vez de entrar nessa discussão, primeiro vou falar das conclusões que tive sobre a Consciência.

A consciência pode ser dividida em 3 aspectos:

1. Atenção ao Agora

Se trata do grau de percepção sobre o que está acontecendo no momento presente, possibilitado através dos sentidos. Diferente dos outros dois aspectos da consciência, este é prejudicado pela ação dos pensamentos, pelo ato de pensar. Sim, porque pensar é um ato.

Muito provavelmente estará em níveis menores durante um coma, ao estar dormindo, ao estar sob efeito de alguma droga ou várias outras condições, inclusive ao estar pensando.

Mesmo acordado, pode ainda estar debilitado pelo uso de álcool ou outras substâncias, ou por alguma outra condição limitante. E mesmo sem nada limitante nesse sentido, a percepção do presente pode estar diminuída simplesmente pela pessoa ficar com o pensamento muito direcionado para o passado ou especulando o futuro — passo constantemente por esses desvios. Por fim, o grau de percepção do agora é algo que pode existir nos mais variados níveis, pois é algo cuja habilidade pode ser aprimorada, se tratando principalmente da capacidade de direcionar e redirecionar o foco.

2. Ciência de si mesmo

Este aspecto diz respeito a o quanto você conhece sobre quem você é. Sua história, sua família, seu contexto. Seus pontos fortes e suas limitações. Seus padrões de comportamento, o que te move, o que te paralisa.

É um tipo de consciência que muita gente evita, talvez porque olhar para si com honestidade seja desconfortável. É mais fácil viver na superfície do que investigar o que está por baixo. Mas sem esse conhecimento, a pessoa age no piloto automático, repetindo padrões sem entender de onde vêm, tomando decisões que não refletem quem ela realmente é ou quem ela quer ser.

Conhecer a si mesmo não é um evento, é um processo. E é um processo que nunca termina, porque a gente muda, e porque quanto mais você olha, mais encontra.

3. Ciência do mundo ao redor

O terceiro aspecto é a compreensão do mundo externo — não de forma ingênua, mas enxergando suas nuances. Entender as estruturas políticas, sociais e econômicas que regem o que pode ou não ser feito. Perceber as consequências possíveis das próprias ações dado o contexto em que se vive. Reconhecer as possibilidades reais existentes, não as idealizadas.

Muita gente vive com uma leitura distorcida do mundo ao redor, seja por excesso de otimismo, seja por pessimismo paralisante, seja simplesmente por falta de informação ou interesse. E essa leitura distorcida cobra um preço: decisões mal calibradas, expectativas frustradas, sensação constante de que o mundo não coopera.

Ter ciência do mundo não significa aceitar tudo passivamente. Significa enxergar o tabuleiro como ele é antes de fazer o próximo movimento.

Os três juntos

O que me parece é que esses três aspectos se alimentam. Sem atenção ao presente, você não capta o que está acontecendo ao seu redor. Sem se conhecer, você distorce o que capta com seus próprios filtros cegos. E sem entender o mundo, você age com uma visão incompleta da realidade.

A consciência plena, se é que ela existe, seria a operação simultânea e equilibrada dos três. E talvez seja por isso que ela seja tão rara — e tão difícil de escrever sobre.

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