Garçom É o emprego que foi minha porta de entrada para o mundo de trabalho da vida adulta. Primeiro trabalhei em um restaurante árabe, graças à indicação do meu pai, lugar bem característico, parecia que ao entrar automaticamente se teletransportava para o oriente médio, as luzes, o clima, a ambientação. Havia imigrantes de diversas partes do mundo, em geral do oriente médio, América latina e África. Nem sempre se entendia tudo o que se era falado ali dentro, mesmo a fronte do atendimento muitas vezes não falava português, o que era uma loucura, mas de alguma forma cliente e atendente se entendiam. E essas peculiaridades o tornavam único. Também era um ponto de referência política e antro de pessoas revolucionárias, liberais, artísticas, dissidentes e dos mais diversos tipos. Havia shows ao vivo corriqueiramente, palestras, workshops. Tudo isso colaborava para ser um ambiente ímpar e rico culturalmente. Em horário de pico virava uma baderna, ficava tão lotado que ficava difícil se loco...